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A Vida é Gerúndio

A vida se vive no gerúndio. Enquanto estamos vivos, nada “foi” e tudo é. Vivemos a vida como se víssemos um filme, com a diferença que somos os protagonistas. Como poderíamos dizer “‘é uma obra-prima” ou “'é uma porcaria” enquanto o filme ainda vai pela metade? Quantos filmes você assistiu que pareciam maravilhosos no trailer, muito bons no durante, e o final estragou tudo? É, acontece. Alguns finais estragam a obra. Mas você só saberá se aguardar o final da história, até o ponto em que o diretor resolver colocar o The End na tela.

Por essa perspectiva, meu amigo, você não vai colocar o The End. Ele simplesmente vai surgir no exato momento em que você saiu da sala. Os comentários da platéia são justamente aquilo que você não vai ouvir. Isso deveria nos lembrar de tomar muito cuidado com a idéia de “jogar para a torcida”.

A vida é uma obra aberta e em andamento, e uma cena esquisita pode mostrar-se fundamental, mais adiante. Você, como eu, deve ter cenas esquisitas na sua vida. Todos temos. Elas não fazem muito sentido, vistas isoladamente. Mas elas provavelmente ganharão todo um significado diferente, no desenrolar da trama. Ou, talvez se descubra que de fato, foi apenas uma cena esquisita, que talvez devesse ser deixada de fora, porque o rumo da história não precisava tanto assim daquela cena. Mas, lembra? É obra aberta. Você, assim como eu e todo mundo, ainda não sabe.

Se você está respirando sobre este planeta, nada foi perfeitamente bom; nada foi completamente ruim. Simplesmente não foi; é, porque não terminou. É bom ter isso em mente antes de comemorar loucamente, tanto quanto antes de taxar algum acontecimento comum de “desastre”.

Frequentemente somos juízes duríssimos de nossas próprias cenas. Ainda pior, frequentemente agimos como juízes das cenas alheias; partes de filmes que sequer sabemos como começou, por onde passou aquele personagem e tantas outras coisas.

Agimos como crianças no cinema, criando variações da pergunta impossível de ser respondida:

“- Mas pai, o que vai acontecer depois”?

E o pobre pai tenta improvisar, com base em alguma estatística de probabilidade aprendida com os outros filmes que ele viu, o que é que vai rolar em seguida. Falando baixo, para tentar não atrapalhar os outros espectadores.

Depois da terceira ou quarta pergunta do gênero, normalmente o pai diz:

“Filho, assiste o filme, sim? Se ficar o tempo todo tentando adivinhar, você vai perder toda a graça do filme”.

Não tente adivinhar. Viva a cena. Entregue-se completamente à cena que você está vivendo. Pode ser que ela se torne a chave fundamental de toda a história que vem depois. Pode ser que, simplesmente; não.

Mas você não vai saber, até que a história acabe e, como se diz tão apropriadamente, “você veja toda a sua vida passar pelos seus olhos, como um filme, num instante”.

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